terça-feira, 26 de maio de 2009

O MERCADO DA MUSCULAÇÃO.

As causas da recente expansão de academias de musculação podem ser muitas, todas sujeitas a controvérsias e complementações. Quando se fala em mercado, lembra - se de mercadorias, o que exige compradores com dinheiro e produtores de objetos ou serviços consumíveis. A mola que movimenta a relação entre esses fatores é o lucro, como mostra a história dos últimos séculos, implicando num processo de industrialização, profissionalização, especialização em função e tarefas diversificadas, com muita riqueza e muita miséria. Isto ocorre numa crescente concentração da população em centros urbanos cada vez maiores e, nesta última década, essa população ultrapassou - no mundo e também no Brasil – a população que habita campos e vilas.
Ora, a atividade produtiva no campo requer movimentos contínuos, com idas e vindas exigindo grandes caminhadas, o que evidentemente dispensa exercícios suplementares para efeito de saúde. A alimentação, sem as “sofisticação” da industrialização, não contém produtos químicos e tende a ser farta. È claro que não nos referimos ao “bóia-fria” e outros subnutridos de regiões monoculturas que tanto marcam os noticiários de hoje em dia, mas àqueles que, principalmente em pequenas e médias propriedades, obtém seu sustento com base no trabalho da família.
Por oposição, nos escritórios, lojas e mesmo indústrias, o trabalhador urbano executa sua tarefas com movimentos mínimos, visando a máxima produtividade, o que significa ficar parado e sentado frente a mesas, balcões e maquinas. E sua locomoção do, e para o trabalho, é feita por um veiculo qualquer – ônibus, metrô, elevador – que o conduz... parado.

Some-se a isso desgaste da vida urbana na violenta disputa por dinheiro, espaços, empregos etc, em meio a ruídos e poluições outras, e temos um quadro de doentes em potencial que, contudo, necessitam manter sua disposição física e psíquica para sobreviver no combate diário. Com tantos clientes, a ciência – médica, em especial – avançou, e acabou por demonstrar que nosso flácido e nervoso personagem urbano requer, antes de qualquer medicamento, um tratamento preventivo que começa com exercícios físicos. E os esportes receberam um número crescente de interessados, o que significa mais necessidade de espaço físico para a sua prática. Mas a própria expansão urbana valorizou anarquicamente cada metro quadrado, e espaços como campos de futebol varzeanos e periféricos quase desapareceram.
Basquete, vôlei e futebol de salão expandiram-se em espaços que abrigam maior número de pessoas por metro quadrado e a corrida pode ser feita em áreas já ocupadas, como ruas e parques, a custo zero. Mas tudo isso é pouco, porque envolve horários fixos, deficiências nos resultados e etc. Eficiência, calma de forma crescente o nosso mundo embalado pela grande máquina do lucro, e isso em qualquer canto significa sempre custos baixos e alta produtividade. E então descobriu-se a musculação,praticada até há pouco tempo por uns poucos e entusiasmados halterofilistas, na maioria cultores amadores do corpo e mente sadia. Estes atletas pioneiros se acomodavam e acotovelavam em galpões, porões,sótãos e velhas casas usando espaços mínimos, exercitando-se em tempo individualmente convenientes relativamente simples. E a produtividade era visível, em tempo mínimo. Restavam crendices sobre os efeitos das cargas pesadas com que todos procuravam marginalizar o pessoal da musculação, logo demolidas pela ciência e evidências.


A ausente mulher, agora trabalhando autonomia, arrebentou os preconceitos e atualmente assume participação. E assim a necessidade gerou a possibilidade que, auxilia pela vontade, deu passagem a um numero crescente de pessoas mais fortes e mais saudáveis.

Os velhos halterofilistas, dos tempos difíceis e heróicos, podem olhar com desconfiança a invasão de seus templos por capitais em busca de novos mercados e treinadores com muita teoria e pouca experiência, mas também ficam satisfeitos ao ver seu esporte tornar-se necessidade social e matéria básica para profissionais de outros esportes. Os valores estéticos paralelamente é busca de saúde, e a academia passa também a ser um local onde muitos encontram uma boa convivência social e um tempo de lazer. Desta forma, o mercado de musculação tende a expandir-se tratando de um modismo passageiro. Sendo um produto de baixo custo relativo e elevada eficiência, seu preço permite a compra por amplas camadas da população urbana, formados do mercado crescente. Por conseqüência, empresas e indústrias estarão neste novo mercado, acelerando-o com novas academias e novos equipamentos, o que pode eventualmente, representar riscos quanto à quantidade na medida que operam, necessariamente, sob a busca de rentabilidade. Na medida, contudo, contribuirão para a benéfica expansão da musculação que, se não é a solução para o nosso mundo, ajuda a suportá-lo, com mais força e saúde.



Fonte: Musculação para Iniciantes.
Nelson A. Ferreira


By WPoncy.

Nenhum comentário:

Postar um comentário